Laranja Mecânica

Laranja Mecânica por Anthony Burguess

Narrada pelo protagonista, o adolescente Alex, esta brilhante e perturbadora história cria uma sociedade futurista em que a violência atinge grandes proporções e provoca uma resposta igualmente agressiva de um governo totalitário. Ao lado de 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos ícones literários da alienação pós-industrial que caracterizou o século 20. Adaptado com maestria para o cinema em 1972 por Stanley Kubrick, o livro é uma obra marcante que atravessou décadas e se mantém atual.

 


 

Abominável e sedutor

Você seria amigo do Alex, de Laranja Mecânica? Gostaria de conhecê-lo? Uma coisa que faz a maioria das pessoas perder o sono à noite é o pensamento de que poderia haver um Alex em sua cidade — amoral, assassino, deliciando-se com a estética da violência, esperando uma oportunidade. Mas o fato é que, impresso, com sua própria voz, Alex é um sedutor. Inteligente. Hábil com as frases. Esperto. Espirituoso. Simpático. Agora, como você passa de “amoral” e “assassino” a ‘simpático”? Palavras: Alex, ou melhor, seu criador, Anthony Burgess tece uma teia de palavras para nos envolver com os elementos mais atraentes da sua personalidade ao mesmo tempo em que nos blinda de uma visão demasiado direta de sua ações abomináveis. Em outras palavras, há uma razão para esse livro estar ainda no mercado após 40 anos da sua publicação. É inovador e elegante. Além do mais, este livro aborda a subcultura, rebelião, música, gangues de adolescentes, violência, estupro e gíria – todos temas muito relevantes ainda hoje nas ruas e igualmente nas escolas secundárias.

 

Ótimo livro

Há uma grande discussão acerca do sistema carcerário e de quão eficaz ele é quanto à reforma do criminoso.

Percebe-se também que a adolescência e o amadurecimento são temas que devem vir à tona na cabeça do leitor: quanto da essência selvagem e ainda não condicionada pela sociedade está presente no ser humano que ainda não amadureceu, aqui no caso o adolescente? Começamos a narrativa de Laranja Mecânica presenciando um Alex totalmente entregue à vida adolescente da época, e somos testemunhas do seu amadurecimento.

E a forma como ele amadureceu é a grande crítica do livro, pois coloca em voga o livre-arbítrio de cada um. Aqui, o autor expõe que não é natural ao crescimento do homem ser obrigado a não ter acesso a escolhas. Tenho para mim que nós aprendemos, sim, com as situações boas que nos acontecem, porém aprendemos muito mais com os nossos próprios erros, resultados de nossas próprias escolhas.

“Creio que o desejo de restringir o livre-arbítrio é o verdadeiro pecado contra o Espírito Santo.” – A. Burgess, 1972

O próprio nome Laranja Mecânica é estranho, o que o torna incrível como título desta obra que possui o estranhamento como ferramenta para transmitir uma mensagem. Mais incrível ainda é o que ele significa: seria a junção forçada de um organismo (com vida, que amadurece e é doce) com um mecanismo (frio e morto).

Esta alegoria chamou a atenção do autor quando este ouviu um homem citando-a num pub londrino em meados da Segunda Guerra Mundial. É uma gíria cockney que ele guardou consigo e encontrou o uso ideal anos mais tarde, “era o único nome possível”, Burgess chegou a

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